Ser ético em campanha eleitoral

 

            Quando os interesses pessoais e individuais dominam o SER HUMANO, ele se torna intolerante, mesquinho, perde a capacidade de enxergar, de compreender et de agir em vista do BEM COMUM. Seu EGO é a norma e a meta de sua vida. Muda o respeito do PODER de sua dignidade pela ambição do poder dominador e escravizador. 

As campanhas eleitorais se sucedem. No final de cada uma, muitos eleitores saem dela decepcionados, faz-se o « meu culpa »,  expressa-se arrependimentos e se acha que o jeito de fazer política deve mudar. E o que mudou ?

Haverá eleição no próximo dia 2 de outubro. A quem será dado o seu voto ? Na manhã de colocar a cédula na urna, você terá refletido suficiente para imaginar como serão os quatro próximos anos ? A final de contas, o seu voto será dado a quem lhe dispensou um FAVOR ou a quem lhe prometeu emprego. talvez uma secretaria ou um cargo de confiança ou ainda a quem protegerá seus negócios ou a quem fechará os olhos diante de suas injustiças e ilegalidades ? Muitos candidatos afirmam que é assim que se faz campanha. Diz-se que é a condição para ganhar um mandato. E os anos passam. Você continua se queixando e nada adianta porque você deu oportunidade a essa gente sem escrúpulo de mantê-lo na dependência.

Muitos afirmam que hoje, no Brasil, vive-se uma crise de ética, onde predomina o individualismo. É a prevalência da ética do tirar proveito, dos privilégios, do desmando motivado pelo desejo exagerado da obtenção do consumo, onde quem tem mais vale. Aí daqueles que tentam se contrapor a essa modalidade de pensar e agir !  Caracteriza-se a ética de conveniências, do « leva vantagem » criando discriminação e conseqüentemente dificulta e até impede o exercício da cidadania.

Passo a transcrever parte de um escrito de Maria Victória de Mesquita Benevides, professora da USP, intitulado : « O povo não sabe votar » .

« Paul Valery dizia que « a política foi inicialmente a arte de impedir as pessoas de se ocuparem do que lhe diz respeito. Posteriormente, passou a ser a arte de compelir as pessoas a decidirem sobre aquilo de que nada entendem».

« Esta definição de Valéry, entre a ironia e o desencanto, ilustra uma certa concepção da história política, entendida como a passagem de um autoritarismo excludente para uma democracia não menos « autoritária » e, ainda por cima – pior dos males -, incompetente. Parece não haver meio-termo – ou o « bom príncipe, ou a « plebe ignara ». Por trás dessa avaliação, típica dos « sentimentos » de um certo conservadorismo elitista, identificam-se os vários matizes da convicção de que a participação popular é fútil e inútil, pois, afinal, o povo é, mesmo, politicamente incapaz.

« O povo é incapaz, segundo tais crenças, porque, entre suas múltiplas carências, costuma-se destacar que :

  • o povo  é incompetente para votar em questões que « não pode entender »; é incoerente em suas opiniões (quando as tem) e é, ainda, politicamente irresponsável, nada lhe sendo cobrado;
  • o povo tende a votar de forma mais « conservadora » e, quando muito solicitado, torna-se « apático para a participação política;
  • o povo é mais vulnerável, do que seus representantes, às pressões do poder econômico e dos grupos « superorganizados »;
  • o povo é dirigido pela « tirania da maioria » e dominado pelas « paixões ».

Todos esses pontos têm sido exagerada e ideologicamente dimensionados pelos entusiastas do sistema representativo como forma exclusiva do regime democrático.»

E agora é verdade que :

  • você é incompetente, incoerente e irresponsável ?
  • você é conservador e preconceituoso ?
  • você é apático ?
  • você é vulnerável aos grupos de pressão ?
  • você é dominado pelas paixões, pelos sentimentos e se deixa levar pela opinião da maioria ?

Meu caro eleitor e minha cara eleitora, se você é capaz com toda sinceridade e honestidade consigo mesmo, responder NÃO a todas essas perguntas, tenha tranqüilidade de espírito pois seu voto contribuirá de maneira eficaz para uma boa administração no seu município.

                                               Boa sorte -  BOA   PREPARAÇÃO

                                                 Victor Asselin