Sou político… Faço política…

             Alguns anos atrás num Seminário sobre Fé e Política realizada na cidade de Balsas, Dom Pedro Casaldáliga numa de suas observações afirmava sem medo de errar : “Satanizamos a política a ponto de todo mundo se afastar dela”. Porém é a missão mais nobre por ser a essência de todo ser humano. Em consequência dessa situação, muitas pessoas inescrupulosas se apoderaram da fragilidade do povo para satisfazer seus interesses próprios.

            Quantas pessoas até amigos me dizem : “você não deve fazer política”…. “não se meta na política”, “afasta-ti do meio político” e assim em diante. Respondo : faço político…. Farei política e o dia em que me afastarei dela será o sinal que deixei de ser discípulo de Jesus Cristo. O ato de nascer é um ato político, o ato de crescer é um ato político, o ato de se relacionar é ato político, o ato de respeitar o meio ambiente é ato político. O fato de ser FELIZ é o resultado de uma prática política verdadeira.  Sou político porque sou apaixonado pelo bem-estar dos outros; sou político porque detesto as injustiças; sou político porque luto contra os parasitas do poder ; sou político porque o meu compromisso é com a defesa da criação, obra do Criador; sou político porque acredito que as mudanças partem dos mais pobres; enfim sou político porque acredito que é na solidariedade profunda do ser humano que se manifestará o verdadeiro PODER.

            A participação à vida política é um dever permanente de todo cidadã e cidadão que vai além de campanhas eleitorais. É a busca permanente do BEM COMUM, dando prioridade aos mais favorecidos e lutando para conquistar direitos. Deus sabe como é um projeto de longo prazo. A dependência marca ainda nossa cultura. Minha experiência atual me ensina que o povo de fora obriga muitas vezes o político a ser um explorador e um corrupto. A resistência é essencial. Resolver as situações com o “jeitinho brasileiro” se aproxima muitas vezes da justificativa da corrupção. Como ser humano somos chamados a dar preferência em nossa vida áqueles e àquelas que tem sua vida mais ameaçada.O BEM COMUM é “o conjunto de condições sociais qui permitem tanto aos grupos quanto a cada um dos seus membros de atingir a perfeição de maneira total”.

            Animado por este espírito estamos realizando na cidade de Balsas um trabalho de ordenamento do solo urbano a partir das periferias. Em nossa cidade, há anos criou-se um caos. São António deu, no passado, suas terras ao domínio público, sem dúvida para que fosse partilhada entre todos os seus moradores. Não foi o caso e, por isso, no decorrer dos anos tornaram-se objeto de especulação e de injustiça social favorecendo uns poucos e desprezando a maioria. O pior é que, em grande parte, houve initiativa e cumplicidade do poder público e de seus funcionários. Graças a Deus, está se iniciando um trabalho de conquista do direito à terra. Apoiados pelas autoridades executivas e judiciarias, o povo da periferia tem oportunidade de se organizar e ter acesso a um pedaço de chão. Diz-se : não é um FAVOR, é um DIREITO.

            Essa palavra é como um grito que sai de minha boca diante de tantas inertias e omissões mas ela é também uma ESPERANÇA, pois das initiativas despercebidas e frágeis nascerá um “NOVO CÉU” e uma “NOVA TERRA”.

                                                                         Victor Asselin

Carta aberta ao Governador eleito JACKSON LAGO

CARTA  ABERTA  AO  GOVERNADOR  ELEITO  JACKSON  LAGO 

                                               São Luis, 30 de outubro de 2006

Meu caro Jackson,

      Atravessou-se o mar Vermelho! Senhor Governador eleito, o povo do Maranhão acaba de escolher o caminho da mudança. Antes de mais nada gostaria de parabenizar o povo pela sua coragem e solidariedade por este gesto que o engrandece, gesto que marcará o seu futuro. Gostaria também de externar a minha admiração aos militantes e dirigentes dos partidos políticos que tiveram a ousadia e a perseverança de manter-se unidos até o fim, fato inédito na história do Estado. O passado já tinha gravado diversas oportunidades perdidas. Graças a Deus, chegou a maturidade tão desejada. E a você, Jackson, PARABÉNS. Foi o escolhido para manter abertos os espaços da liberdade conquistada ao longo desses anos com muitos trabalhos, desgastos  e sofrimentos. Por isso, neste momento, não posso deixar de relembrar todas as lideranças que deram sua vida por esta causa e que gostariam tanto de estar aqui para celebrar este dia. A eleição de 2006 apresentou ao povo a proposta de pôr fim à sua marginalização, à sua pobreza e até ao seu estado de miséria. A maioria respondeu: SIM.

      Assim sendo, estamos do outro lado do Mar Vermelho mas precisamos, para continuar a paráfrase do texto bíblico da libertação do povo da escravidão imposta pelo Faraó no Egíto, iniciar a travessia do deserto para chegar com segurança à Terra Prometida. Essa caminhada será a etapa mais difícil pois, haverá para uns a tentação de acreditar que era tão bom quando se vivia numa relação de dependência e para outros a saudade da mordomia da CASA GRANDE. Permita-me, meu caro Jackson, elaborar algumas reflexões que tem até conotações de sugestões pois, após tantos anos de trabalho junto ao povo de diversos municípios deste Estado, procurando despertá-lo para a conquista de sua cidadania, sinto-me impelido a escrever esta carta com simplicidade e sinceridade. Não o faço em nome e a pedido de ninguém a não ser de mim mesmo.

     Meu caro, você foi eleito pelo povo para não entrar mais na CASA GRANDE mas para junto a ele descobrir o caminho do futuro. Você não pode mais entrar nesta casa apesar dela ainda ser habitada por muita gente que o pressionará a estabelecer aí seu mandato pois, será difícil para esses moradores aceitar a perda ou renunciar a seus privilégios. O povo lhe deu o mandato de descobrir com ele a nova modalidade de Governar. Pois é, meu caro Jackson, você foi eleito Governador com esses dois grandes inimigos que o esperam: os inquilinos e o próprio prédio da CASA GRANDE. Em efeito, enquanto ela existir, existirá sempre a tentação de habitá-la. São os primeiros obstáculos na caminhada do deserto. Tarefa gigante ! Mas vale a pena para imortalizar o acontecimento na História do Maranhão.

      No decorrer desta campanha, você fez muitas promessas. Entre todas elas, uma deverá nortear seu mandato e não poderá ser sacrificada por qualquer motivo que seja : a de efetuar a mudança em aliança com o povo. Por isso, sua equipe será certamente composta de pessoas comprometidas com a mudança do jeito de governar além de serem pessoas que acreditam no povo. Você destacou nas suas conversas com o povo a proposta da MUNICIPALIZAÇÃO. Pois é, MUNICIPALIZAR é devolver o PODER ao Povo. Sonho com você a criação de uma equipe de pessoas que, acreditando na capacidade do povo, orientará sua política de ação numa constante descentralização de decisões. Impressiona-me em pensar que a CASA GRANDE só se tornará mais fraca a cada passo dado para a Municipalização e sem dúvida será  motivo para seus inquilinos abandoná-la.

      Sua história, Jackson, o levou a participar da elaboração da Constituição de 1988 que passou a se chamar “Constituição cidadã” pois nela foram escritas conquistas do povo e nela se encontra consagrada a proposta do novo modelo de Governar que você apresentou ao povo. Ocorre que essa proposta de MUNICIPALIZAÇÃO fica ainda muito desconhecida do povo e que, infelizmente, ainda não chegou a criar raízes no cotidiano dos municípios por não ter cativado os prefeitos. Em efeito, os Constituintes reconheceram o MUNICíPIO como “ente federativo”, equiparando-o ao Estado e à União, dando-lhe autonomia, criando os Conselhos Municipais com o poder de decisão na definição das políticas locais e incentivando a participação popular através das audiências públicas e outros mecanismos aí definidos mas, infelizmente, pouco se fez nos municípios para efetuar a mudança. Dezoito anos se passaram.

     Bem sabe que MUNICIPALIZAR não é gerenciar como ocorreu nos últimos anos no Maranhão. Já pensou se o Governo do Estado pudesse ajudar os prefeitos a assumir a responsabilidade de servir aos interesses do povo, administrando com seriedade e honestidade e a não mais se comportar prioritariamente como cabo eleitoral do governador ? Já pensou se o Governo do Estado pudesse ajudar a criar os Conselhos Municipais para que sejam compostos de representantes dos diversos segmentos da população como o orienta a legislação do país e não mais, quando existem, com pessoas, em muitos casos, parentes ou políticos amigos do prefeito? Já pensou se o Governo do Estado pudesse implementar a participação popular  nas diversas regiões do Estado para que chegue a definir as necessidades de sua região e a se comprometer com a sua realização ? Creio que é isso MUNICIPALIZAR como o expressou tão bem ao povo ?

     Definir a MUNICIPALIZAÇÃO como meta prioritária é incentivar a PARTICIPAÇÃO e consequentemente, afastar a miséria e a pobreza ainda reinantes em diversos rincões do interior e das cidades. Tenho certeza que, assim o fazendo, terá o orgulho de constatar o crescimento da auto-estima do povo e estará escrevendo uma bela página de História pois estará diante de um povo que afirmará sua DIGNIDADE.

     A melhoria da educação, da saúde, do transporte, da segurança, da infra-estrutura, enfim de todas as necessidades é importante e tem que ser feito, sim, mas sem os esforços para mudar a mentalidade inculturada no povo pelos donos históricos da CASA GRANDE manterá a relação de dependência e dos favores por um lado, e por outro lado sustentará o paternalismo e o assistencialismo de certos políticos que assim o praticam para se manter e se perpetuar no poder.

     E porque não criar a Secretaria da Cidadania que teria como objetivo a promoção da mudança de estilo de Governo, dando-lhe os meios humanos e financeiros para que seja capaz de promover tal trabalho, tanto a nível interno quanto a nivel dos municípios ? Será um sinal de que a mudança do estilo de GOVERNAR está acontecendo mesmo. E nas diversas regiões do Estado, esta Secretaria encontrará certamente parceiros.

     Meu caro Jackson, finalizo com os votos de sucesso pois a Esperança está no ar. Não há lugar para semear a dúvida e ainda menos para construir a decepção. No mutirão das forças unidas é possível sonhar um outro Maranhão.

                                                                Victor Asselin

Apresentação do Manual do Eleitor

 

                                Apresentação do Manual do Eleitor*

        Fala o cidadão pela sua qualidade de participação. Fala o candidato político pela sua ética de comportamento. Participar com ética é, sem dúvida, o voto por excelência em tempo de campanha eleitoral.

        Com a finalidade de realizar este mais alto desejo, o jornalista JOSÉ LUIS quis colaborar tanto com o eleitor quanto com o candidato e seus auxiliares. Percorreu toda a legislação eleitoral, escrutando-a em todos os seus aspectos, fazendo dela um instrumento valioso e ao alcance de todos e todas que quisessem viver uma campanha eleitoral cidadã.

        Não se discute e nem se analisa o conteúdo deste “MANUAL ELEITORAL 2008”. Basta utilizá-lo para descobrir a sua razão de ser e admirar seu Autor pela pertinência da matéria e pela atualidade da publicação. Você, leitor, querendo uma resposta resumida de o comportamento a seguir no decorrer da campanha eleitoral, percorre a primeira parte. Quer estudar de maneira mais detalhada os assuntos de PROPAGANDA ELEITORAL, CONDUTAS VEDADAS e PESQUISAS ELEITORAIS, basta ir à segunda parte. Caso você queira saber algo a respeito da COMPRA DE VOTOS, PRESTAÇÃO DE CONTAS, e POSSIBILIDADES DE INELEGIBILIDADE, chega logo à terceira parte. Enfim, a quarta parte lhe dá acesso ao CALENDÁRIO ELEITORAL e a algumas tabelas importantes a ser consultadas.

        Ser POLÍTICO é uma das vocações mais dignas que o mundo conhece. Aprender a ser político e a FAZER POLÍTICA é uma aprendizagem corajosa que os tempos atuais exigem.  Passar de uma mentalidade mesquinha e fechada a serviço dos interesses individuais, navegando numa promiscuidade entre o público e o privado, a uma mentalidade generosa e aberta a serviço do BEM COMUM, só pode se concretizar por pessoas apaixonadas pelo seu povo e pela sua pátria. Queira que este “Manual” sirva para conquistar mais um passo na vida política dos municípios. Será a maneira mais concreta de agradecimento dirigida ao seu  AUTOR pelos muitos esforços que dedicou em confeccioná-lo.

        O Papa Paulo VI escrevia que “a política é uma maneira exigente de viver o engajamento cristão ao serviço dos outros”.  Como fazer para que a política, neste tempo de eleições, seja a “arte do possível”? As eleições dos últimos anos são o resultado de fracassos, de angústias, de demorados sofrimentos, de teimosia no trabalho e de uma fé profunda que sempre os sustentou. Apesar de todas as suas ambigüidades e limitações, são resultados inéditos. Somos cada vez mais conscientes da necessidade da participação para continuar e sustentar o espaço conquistado na construção do NOVO.

        Com esta obra, o AUTOR abre um espaço de trabalho articulado, aberto e corajoso para realizar um processo competente e participado. PARABÉNS!

                                               Victor Asselin

* José Luis Melo, jornalista em São Luis do Maranhão, Brasil, estudou a legislação eleitoral do Brasil e elaborou um manual para os eleitores na ocasião das eleições de 2008. Eis a apresentação do Manual.

Ainda é o melhor !

Ainda é o melhor !

            Apesar de não possuir nenhuma estação de rádio, de televisão, de jornal ou de qualquer meio de publicidade que divulgasse os trabalhos realizados, o prefeito Jonas Demito junto ao seu secretariado e auxiliares continua trabalhando em benefício do povo balsense. Falou-se de uma cidade esburacada. É a única conversa circulando a respeito da administração atual. E porque não se fala da qualidade da educação municipal, dos serviços de saúde dispensados, dos projetos da ação social amparando crianças, jovens, adultos e idosos, dos projetos agrícolas, das finanças que ainda pagam contas das administrações anteriores, entre elas quase cem processos trabalhistas dos anos1992 a2000, da folha de pagamento que não chega a atrasar de um mês e mais ainda !  A mídia de Balsas está a serviço de quem ? dos quais interesses ?

            Uma campanha eleitoral está se preparando. Tem-se costume de ganhar uma eleição distribuindo favores de toda natureza.O que será a campanha 2004 ? Revendo e relendo a história, deparamo-nos constantemente com uma oligarquia contornando as lutas populares procurando se libertar do cerco da dependência. Chegou a hora de entender que distribuir favores é instrumento de desprezo do ser humano. Chegou o momento de entender que o verdadeiro PODER reside na consciência que cada cidadão tem de sua DIGNIDADE. Por isso, todo trabalho do despertar da consciência contribui ao crescimento da cidadania. Toda organização buscando seus direitos e cumprindo seus deveres merece respeito.

            O eleitor de Balsas é convidado a refletir JÁ sobre o tipo de Governo municipal que quer e sobre seus candidatos. O cidadão que depositará seu voto de acordo com o favor recebido, já terá recebido o que merece; o cidadão que depositará seu voto de acordo com a vontade de unir esforços para melhorar a cidade, seu emprego, sua qualidade de vida receberá todos os dias as respostas do seu sonho.

            Que sonho pode ser este ? Sonha-se de um município onde reinará a liberdade, onde os direitos humanos serão respeitados, onde serão garantidas as condições básicas da vida, onde existirão novas relações de igualdade, de respeito, de autenticidade, um mundo onde o outro não será o inimigo mas será aceito como uma parte de si mesmo, um mundo onde todos terão acesso às riquezas, onde todos se respeitarão e viverão sua autonomia na cumplicidade das diferenças. Eis um município do futuro onde poderão ser arvoradas as bandeiras de diversos Estados deste país.

Balsas, 30 de abril de 2004

                                                                   Victor Asselin